Transcendência


29/08/2012


Aum

 


Não há o que plantar

- não existe solo -

Não há o que florir

- não existem estações –


Não há do que se alegrar

- plenitude não é felicidade -

Não há do que temer

- perigosa segurança -


Não há o que esperar

- já não existe o tempo -

Não há para onde ir

- a direção é só aqui, dentro -


Não há mais o que dizer:

acabaram-se as metáforas,

escafederam-se as palavras

- transcendemos no silêncio -.

 

Escrito por Ligia Araujo às 17h25
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30/07/2012


Aurora

 

 

 

Ressurjo das sombras insones,
avisto um tenro clarão:
ilusões afogadas,
alma revigorada.

 

A estrada agora é plana
- superfície estável -
e retilínea:

avisto minhas cinzas,
renasço pela manhã.

 

Escrito por Ligia Araujo às 17h01
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20/06/2012


Sahasrara

 

 


No princípio,

kundalini:*

energia congestionada,

sem saída ou progresso,

na verdade, retrocesso.


Visibilidade limitada,

sinal vermelho:

- desespero -

dor no peito.


O sinal se abre,

em parte:

a via caminha

va-ga-ro-sa-men-te

e pausa em cada ponto

da estrada vertebrada.


Ainda emparedada:

- Sou, - Quero, -Sonho.

Sinal de alerta, amarelo...


Com o tempo,

sem que eu perceba,

sou levada pelo fluxo da graça

e num giro, fico à frente

e só na frente, de frente,

não sendo, não querendo e não sonhando

enxergo além dos muros.


E lá, o tempo e o espaço

deixam de existir.

Faz-se a explosão:

Sahasrara!**

Desapareço

e alcanço o sete infinito...

 

 

* Kundalini é a energia geralmente adormecida na

região correspondente à base da coluna vertebral.

** Sahasrara é o nome do sétimo e último chacra,

localizado em uma região correspondente ao topo

da cabeça, estendendo-se também acima dela.

 

Escrito por Ligia Araujo às 19h53
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18/06/2012


Nirvana

 

 

 

Quando das cinzas

renascerem a Fênix,

Quando a névoa

trouxer o arco-íris,

Quando o fogo

tornar-se brando,

Quando a noite

semear o dia,

Quando o dia

florescer na tarde,


Prepararei a vida

para outra primavera

e despejarei em meu mundo

todas as cores da aquarela,

Cantarei o sonho e colherei os milagres,

edificarei - sem guerras -,

os meus poemas-altares.

 

29/04/2012

Escrito por Ligia Araujo às 17h18
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09/05/2012


(In)violável

 


 

If you wish to forget anything on the spot, make a note that this thing is to be remembered

 

 

As cordas

- nada sorrateiras -

desaguam no corpo

do violão

como um escafandrista

extasiado

a contemplar

o fundo do fundo

do oceano.

- no mergulho -

habita um grave tom

que enlaça

a puríssima canção

tão solada

e ensolarada.

 

Escrito por Ligia Araujo às 15h19
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19/04/2012


Kirtan

 

 

 

 

À tarde,

quando o sol invade a sala

(parcialmente vazia)

faz-se uma alquimia divina.

Uma nova dimensão se abre

(regada ao silêncio e ao dilúvio):

é minha catarse inefável,

é minha kirtan indelével...

 

Escrito por Ligia Araujo às 22h09
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28/02/2012


Noite inteira

 

 

 

Saúdo a lua

com as suas promessas senis,

invoco as estrelas

na certeza de que sou aprendiz

das grandezas

mesmo sendo pequenina.


A menina dos olhos

ilumina meu céu de possibilidades

e clareia minhas noites febris.


Feliz, acredito em milagres

e desfaço meus pesares:

olho para o alto e me encontro

quando salto

na imensidão de lá

e no calor daqui.

 

Escrito por Ligia Araujo às 16h44
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27/02/2012


Taça

 

 

 

 

Todo vazio tende a transbordar,

todo transbordar desemboca no mar.

No mar tudo é possível

e impossível,

tudo é incontável

e indelével,

tudo é predicado

sem sujeito,

tudo é eleito

e do avesso.

O jeito é mergulhar

e, num rodopio,

naufragar e resgatar

o riso, o ritmo e o siso...

 

 

Escrito por Ligia Araujo às 16h13
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26/02/2012


Anunciação

 

 


 


Boas novas adentram a pena

e de pequena

passo a sonhar grande.


Entre estantes, mutantes e bacantes

anuncio o meu intenso verão:

vocês verão e acreditação

no que parecia mentira

ou uma sombria magia

executada por mim,

abençoada por vocês.

 

Escrito por Ligia Araujo às 10h52
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25/02/2012


Stop

 

 


Paraquedas,

parapeito,

para-brisa,

parafuso!


Para mim,

paranormal;

Paraty,

paranoia.


Para-choque,

paralelo,

paralisa!


Parâmetro,

paradoxal,

paráfrase,

parasita:


Parafina,

paraíso,

paralama,

paradigmas.


Parada,

para-raios,

parágrafos,

parênteses.


Parar,

parei,

parou...

 

Escrito por Ligia Araujo às 11h14
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23/02/2012


Plantio

 

 

 

Eu, itinerante da palavra encantada,

percorro o norte e o sul das emoções da cidade.

Em cada canto absorvo um espanto

ou um pranto.

 

Planto sementes siderais,

rego-as com meu discurso torrencial.

Transformo todas elas em vapores

ou tempestades:

tudo me invade, tudo absorvo.

 

Luto bravamente para que não morram grão

construindo um jardim

diariamente regado por mim e abençoado por vocês.

Escrito por Ligia Araujo às 07h33
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12/02/2012


Nova dança

 

 

 

 

A alma sempre exposta, escancarada

em meus versos e trajetos.

O corpo sempre estático, enclausurado

nas convenções e manuais

supérfluos de etiquetas.


Um paradoxo inconsciente

que tão cegamente

demorei a enxergar e a aceitar.

Há uma longa estrada

a percorrer em meu mundo externo.

 E agora que sei

eu me quero por completo:

que toquem as trombetas,

meu corpo quer dançar!

 

Escrito por Ligia Araujo às 18h39
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07/02/2012


Verão, minha obra-prima

 

 

 


Impulsos florais

circundam minha epiderme

numa rotação graciosamente breve.


A neve, extinta de minhas tintas,

acena para os raios solares

e produz em seus tenros teares

a primavera, a obra-prima e o recomeço,

marcados em minha tez

- naturalmente pálida -.


Cálida, sem maquiagem,

tropeço em meus negrumes,

acendo as minhas luzes

e invoco o meu impávido verão.


E assim,

todas as flores e todos os aromas

impregnam minhas horas

numa valsa harmoniosa

marcada por mim,

contemplada por vocês.

 

Escrito por Ligia Araujo às 20h09
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06/02/2012


Batismo

 

 

 

 

O novo e o inusitado

impregnaram meus pensamentos,

expurgaram meus tormentos:


Varreram, lavaram, purificaram

qualquer umbral

- punhal que desviava a minha atenção -.


Sem abstrações e com estradas asfaltadas

caminho segura no insólito e no inexprimível

que só fazem sentido para mim e para meus jardins.


Olho para minhas rosas

e enxergo a felicidade

florindo em meu íntimo

e exalando, num sorriso nada tímido,

a certeza de que sou livre.

 

Escrito por Ligia Araujo às 18h35
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05/02/2012


Reconstrução

 

 



Recolho os cacos

espalhados pelo chão,

recrio uma moldura antiga,

reconfiguro minhas cicatrizes

com límpidas tintas,

refaço minha história,

remoço meu sorriso,

remonto a mobília de minha vida.

 

 

 

Escrito por Ligia Araujo às 12h13
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